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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

VELHO CASARÃO JÁ QUASE TAPERA cai de vez por terra

Uma das construções mais antigas de Corbélia, a Cidade das Flores no Oeste do Paraná, casarão esse que já foi Hotel, aliás um dos primeiros e principais hoteis de Corbélia, já foi também farmácia, hospital, restaurante e por último abrigava o famoso BAR DOLAR FURADO de Dorival Lopes o Dariva está com seus dias contatos.
Pode ser que nesse momento que você esteja assistindo esse vídeo o casarão com mais de 60 anos esteja apenas na memória dos munícipes corbelienses. Antigo Hotel Havai de Corbélia que abrigou muitos viajantes e foi palco inclusive de filme amador agora será apenas boa lembrança da cultura dos primeiros habitantes de Corbélia-PR.
 Assista o vídeo e se inscreva em nosso canal, clicando aqui.


Nesse vídeo também uma entrevista com Dorival Lopes, o Dariva que já fez vários filmes junto com Aroni Soder. Filme que inclusive estou tendo o prazer de editar  MOTOQUEIROS MERCENÁRIOS, no qual ele comenta no decorrer do vídeo.
O agradecimento também para Gabriel Federico do GF Imagens Aéreas pela parceria no vídeo!

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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Papai Noel existe sim

No dia 24 de dezembro de 2018, eu fui convidado para ser Papai Noel no meu trabalho. Recepcionar os clientes e dar doces as crianças. Na hora aceitei pois gosto de desafios mas jamais imaginei o que é ser Papai Noel.
É muito mais que vestir roupas vermelhas (no meu caso foi azul pois é a cor da empresa), barba branca e botas. É uma responsabilidade e uma farda que precisa ser honrada como qualquer outra. É mentira se te falarem que qualquer um pode ser Papai Noel, logo de cara percebi isso.
Receber abraços verdadeiros e sorrisos inocentes logo me fizeram perceber a grande responsabilidade que eu tinha que assumir.
A ficha ia caindo a cada criança que de longe já corriam gritando.
 - Papai Noel! Olha eu aqui!

Teve uma menina de uns 2 aninhos que me disse olhando nos olhos.
- Papai Noel, você é lindo, eu amo você.

Fiz uma viagem no tempo, viajei até minha infância quando eu era envolvido por essa magia, em que o mundo era mais colorido, os pássaros cantavam mais, as pessoas eram mais amigas e fraternas. o mundo tinha muito mais esperança e me dei conta de duas coisas. Primeiro, temos que verdadeiramente voltar a ser criança. isso é fácil, basta olhar atentamente para elas, conversar com elas, sentir o que elas sentem, se desligar por alguns momentos que seja do mundo adulto e então reviverás essa magia. A segunda questão que me dei conta com esse encanto de magia é de que Papai Noel existe sim, nós adultos é que não vemos, cegos pelo dinheiro e pelas coisas mundanas.

Tradussion par talian, spùncia qua.

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quinta-feira, 1 de junho de 2017

O produtor que colheu milho em uma ovelha - Causos de Galpão

O quadro Rádio Interativo vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Comunitária Liberdade-FM de Três Palmeiras e Rádio Comunitária Navegantes de Ronda Alta nas parcerias de Jaciano Eccher e Alcione Gondoreck. Nesse vídeo uma pequena amostra. Sempre temos homenagens, informações e é claro o bom humor sempre está presente

Veja o caso contado no Rádio Interativo hoje que alguns ouvintes duvidaram. A mais pura verdade nas ondas do rádio... O fato correspondente a imagem está no minuto 2:35 em diante...

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terça-feira, 25 de abril de 2017

o GPS ( Gaúchys Positioning System) Conforme as regiões do Brasil

GPS Carioca
Oh manô! Pega a próxima a esquerda, logo depois daquele bagulho vê se não vacila vèio!
GPS Nordestino:
Oh cabra da peste! Pega a terceira a direita e depois siga em frente
GPS Baiano
Vire a esquerda na próó... Deixa quieto, tenta na outra então ou retorne
GPS Goiano:
É noite o carro está rugindo parecendo fera, portanto vire a direita na Via Ananguera
GPS Paranaense
Vixe! Ta longe ainda, tu pode segui toda vida, depois vire a direita e ande toda vida!
GPS Gaúcho:

Tchê! Tu não te bobeie que depois da sinalera tu tem que virar a esquerda e no segundo quebra-mola.... Mêêê, pensa nuna chinoca bonita, mais bonita que laranja de amostra. Mas tchê, como eu dizia... Depois do quebra-mola tem uma cancha reta, tu vai passa ainda em frente ao bolicho do zé e pronto! Pode apeia vivente!
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quarta-feira, 29 de março de 2017

O Gaúcho Piloto de Avião - Piada

E la vai mais uma piada pra você, uma piada de gaúcho, uma piada de avião, daquelas de rachar o bico rindo, se gostar compartilhe com essa indiada guasca uma barbaridade.
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quinta-feira, 9 de março de 2017

Jornal do Gaúcho quinta edição

Te aprochega vivente que agora tu vai escutar o Jornal do Gaúcho. Puxa um cepo, prepara o mate e vamos as noticias do dia.

Gaudério entra em cana depois de atar pingo em frente a delegacia

O gaudério estava ginetiando seu pingo para ir ao carijó buscar um saco de erva a granel. Detalhe, o carijó ficava na beira de uma delegacia, e o seu Tiburcio não quis nem saber, já foi atando o pingo no estacionamento da brigada, já acolherô de brigadiano e meteram o tal no xilindró.

Depois de campià em tudo que é canto, Boi Barroso aparece dentro do apartamento do Gauchão

Foi nesses fundos de campo dos confins do fim do mundo
Que berrando grosso e fundo, o boi barroso se sumiu
Depois de campiá por tudo que é canto a indiada encontrou o Xirú do posto.... Ipiranga
E não deixaram de maliciar, que ele tinha achado o Boi Barroso
E não queria lhes entregar. Foram dar parte ao comissário
Ficou prá segunda - feira. levô os home na conversa e se foi a semana inteira.
Mas numa frasqueira cos creminhos de beleza o gauchão de Apartamento tinha acabado de tomar o seu chocolate quente quando viu, acredite se quiser preparando um mate topetudo o tal do Boi Barroso
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sexta-feira, 3 de março de 2017

Jornal do Gaúcho Quarta Edição - Causos de Gaúcho

Te aprochega vivente que agora tu vai escutar o Jornal do Gaúcho. Puxa um cepo, prepara o mate e vamos as noticias do dia.
Gaudério fica com a cabeça mais grossa que parafuso de patrola depois de levar piocada de bespa
O gaudério estava ginetiando um capincho quando bateu com a cabeça na cachopa da bespera e levou umas 50 ferroadas e no final da tarde mais assustado que cusco em canoa ele pediu socorro pra patroa que ao invés de ajudar afofô ele a páu pra larga mão de se bocó.

Depois do acidente campeiro com o esquerdo que doía pião campeiro cai do cavalo e quebra o cambito direito.
Depois de procurar a Sinhá Maria e ela náo têlo benzido porque não adiantava mesmo não tinha o que fazer o mesmo pião campeiro que não podia adoecê cai do cavalo, quebra o cambito direito e como da outra vez levaram ele pra cidade quase morrendo de dor, entro no primeiro prédio que estava escrito doutor. E aí sim o doutor Eloi pode atende-lo sem serimônias


Acompanhe a próxima edição do Jornal do Gaúcho tão logo os causos aconteçam
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quinta-feira, 2 de março de 2017

Jornal do Gaúcho: Terceira Edição - Causos de Galpão

Te aprochega vivente que agora tu vai escutar o Jornal do Gaúcho. Puxa um cepo, prepara o mate e vamos as noticias do dia.

Mulher amolenta marido a páu por chegar borracho em casa.
Depois de ter tomado umas canjebrinas oitavado na copa seu Tiburcio sai a despacito pras banda do rancho. Mal ele sabia que a Xivilena o esperava mais ansiosa que anão em comício pra le dar uma sumanta de laço.
“Levei um pialo de esparramar o sabugo duma potranca refugo mais braba que uma bespeira” narra seu Tiburcio a nossa equipe de reportagem.
Pexada em sinalera acontece depois de loira mais linda que laranja de amostra atravessa a rua rebolando.
Achacoalhando a mondongueira e rebolando mais que cobra mal matada a loira cruzava a sinalera quando um xirú véio engarupado na sua rural ficou com a boca mais aberta que burro que comeu urtiga e acabou pechando na viatura dos milicos que faziam ronda.


Acompanhe a próxima edição do Jornal do Gaúcho tão logo os causos aconteçam

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quarta-feira, 1 de março de 2017

Veja a segunda edição do Jornal do Gaúcho

Veja algumas manchetes da segunda edição do Jornal do Gaúcho:
Vivente é morto a pialo enquanto lagarteava no sol la no potreiro velho.
Dunfa d’àgua de faze cusco beber água em pé, atinge o município de Três Palmeiras.
Mulher leva sumanta de laço depois de ser encontrada camaguiando com o compadre.
Melhor ver o vídeo.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Jornal do Gaúcho: Primeira Edição - Causos de Galpão

De vez enquando tu vai escutar por aqui algumas edições macabras do Jornal Do Gaúcho. Confira a primeira edição no vídeo abaixo:
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Salamanca do Jarau

No tempo dos padres jesuítas, existia um moço sacristão no Povo de Santo Tomé, na Argentina, do outro lado do rio Uruguai. Ele morava numa cela de pedra nos fundos da própria igreja, na praça principal da aldeia.

Ora, num verão mui forte, com um sol de rachar, ele não conseguiu dormir a sesta. Vai então, levantou-se, assoleado e foi até a beira da lagoa refrescar-se. Levava consigo uma guampa, que usava como copo.

Coisa estranha: a lagoa toda fervia e largava um vapor sufocante e qual não é a surpresa do sacristão ao ver sair d'água a própria Teiniaguá, na forma de uma lagartixa com a cabeça de fogo, colorada como um carbúnculo. Ele, homem religioso, sabia que a Teiniaguá - os padres diziam isso!- tinha partes com o Diabo Vermelho, o Anhangá-Pitã, que tentava os homens e arrastava todos para o inferno. Mas sabia também que a Teiniaguá era mulher, uma princesa moura encantada jamais tocada por homem. Aquele pelo qual se apaixonasse seria feliz para sempre.

Assim, num gesto rápido, aprisionou a Teiniagá na guampa e voltou correndo para a igreja, sem se importar com o calor. Passou o dia inteiro metido na cela, inquieto, louco que chegasse a noite. Quando as sombras finalmente desceram sobre a aldeia, ele não se sofreu: destampou a guampa para ver a Teiniaguá. Aí, o milagre: a Teiniaguá se transformou na princesa moura, que sorriu para ele e pediu vinho, com os lábios vermelhos. Ora, vinho só o da Santa Missa. Louco de amor, ele não pensou duas vezes: roubou o vinho sagrado e assim, bebendo e amando, eles passaram a noite.

No outro dia, o sacristão não prestava para nada. Mas, quando chegou a noite, tudo se repetiu. E assim foi até que os padres finalmente desconfiaram e numa madrugada invadiram a cela do sacristão. A princesa moura transformou-se em Teiniaguá e fugiu para as barrancas do rio Uruguai, mas o moço, embriagado pelo vinho e de amor foi preso e acorrentado.

Como o crime era horrível - contra Deus e a Igreja! - foi condenado a morrer no garrote vil, na praça, diante da igreja que ele tinha profanado.

No dia da execução, todo o Povo se reuniu diante da igreja de São Tomé. Então, lá das barrancas do rio Uruguai a Teiniaguá sentiu que seu amado corria perigo. Aí, com todo o poder de sua magia, começou a procurar o sacristão abrindo rombos na terra, um valos enormes, rasgando tudo. Por um desses valos ela finalmente chegou à igreja bem na hora em que o carrasco ia garrotear o sacristão. O que se viu foi um estouro muito grande, nessa hora, parecia que o mundo inteiro vinha abaixo, houve fogo, fumaça e enxofre e tudo afundou e tudo desapareceu de vista. E quando as coisas clarearam a Teiniaguá tinha libertado o sacristão e voltado com ele para as barrancas do rio Uruguai.

Vai daí, atravessou o rio para o lado de cá e ficou uns três dias em São Francisco de Borja, procurando um lugar afastado onde os dois apaixonados pudessem viver em paz. Assim, foram parar no Cerro do Jarau, no Quaraim, onde descobriram uma caverna muito funda e comprida. E lá foram morar, os dois.

Essa caverna, no alto do Cerro, ficou encantada. Virou Salamanca, que quer dizer "gruta mágica", a Salamanca do Jarau. Quem tivesse coragem de entrar lá, passasse 7 Provas e conseguisse sair, ficava com o corpo fechado e com sorte no amor e no dinheiro para o resto da vida.

Na Salamanca do Jarau a Teiniaguá e o sacristão se tornaram os pais dos primeiros gaúchos do Rio Grande do Sul. Ah, ali vive também a Mãe do Ouro, na forma de uma enorme bola de fogo. Às vezes, nas tardes ameançando chuva, dá um grande estouro numa das cabeças do Cerro e pula uma elevação para outra. Muita gente viu.
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A lenda do Umbu - Causos de Galpão

O Umbu é uma árvore grande e folhuda que cresce no pampa. Muitas vezes é solitária, erguendo-se única no descampado e atrai os campeiros, os tropeiros, os carreteiros que fazem pouso sob sua proteção. O tronco do Umbu é muito grosso, as raízes fora da terra são grandes, mas ninguém usa a madeira da árvore - não serve para nada, mesmo. É farelenta, quebradiça, parece feita de uma casca em cima da outra.

Por quê?

Pois não vê que quando Deus Nosso Senhor criou o mundo, ao fazer as árvores perguntava a cada uma delas o que queria na terra. A laranjeira, o pessegueiro, a macieira, a pereira e assim por diante, quiseram frutos deliciosos. O pau-ferro, o angico, o ipé, o açoita-cavalo, a guajuvira, pediram madeira forte.

- E tu, Umbu, queres também frutos doces e madeira forte?

- Nada, Senhor. - respondeu o Umbu. - Eu quero apenas folhas largas para as sesteadas dos gaúchos e uma madeira tão fraca que se quebre ao menor esforço.

- A sombra, Eu compreendo - disse o Senhor. - Mas porque a madeira fraca?

- Porque eu não quero que algum dia façam dos meus braços a cruz para o martírio de um justo.

E Deus Nosso Senhor, que teve o filho crucificado, atendeu o pedido do Umbu.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Pai quati - Causos de Galpão

Em meados do século passado, um fato curiosíssimo prendia a atenção dos moradores dos Banhados, no segundo distrito de Santa Maria.

Era o caso que, numa ou noutra estância, lá naquelas bandas, de quando em quando, era encontrada uma esteira nova, sem uso, ou um balaio nas mesmas condições, objetos esses que mãos invisíveis iam à noite, ocultamente, deixar ali em lugar que fossem vistos logo pela manhã, ao começar a faina diária.

De onde vinham aqueles objetos? Quem os teria trazido? Ninguém atinava. Era assim, em verdade, um caso surpreendente.

Agora, o reverso da medalha. Em tais ocasiões sempre desaparecia um facão, machado ou serrote que ficasse ao relento e, algumas vezes, uma manta de charque que repousava no varal, ou uma ovelhinha...

É incrivel, diziam todos. Na impossibilidade de ser desvendado o mistério, a fantasia popular deleitava-se em tecer, em torno do caso, estranhos comentários, onde sempre o demônio entrava como figura obrigada.

A princípio, o povo, muito especialmente as mulheres, não tocava nos objetos achados em tais condições, atribuindo o fato a artes do diabo, ou pelo menos a feitiço, em que eram mestres os negros escravos trazidos da costa da África.

Mas com o tempo, verificando-se que as esteiras e os balaios deixados não faziam mal a ninguém, ao contrário eram uma utilidade evidente, a prevenção desapareceu chegando ao ponto de algumas pessoas deixarem à noite, na mangueira ou na frente da casa, facas, tesouras, cordas, galinhas atadas pelas pernas, na esperança de ser qualquer dessas coisas trocadas por uma esteira ou um balaio.

Durante anos, tais transações foram, naquele lugar, o fato mais natural do mundo, tendo perdido seu cunho sensacional, por ter caído no domínio das coisas comuns.

Em certa ocasião, escravos que andavam à procura de mel em sua mata virgem, dois quilômetros mais ou menos distantes da casa da estância, perceberam que do centro da floresta elevava-se espiralando uma tênue nuvem de fumaça branca.

Surpresos, procurando desvendar o enigma, um dos pretos galgou a copa de uma árvore gigantesca e lançando o olhar em direção ao ponto de onde saía o fumo em novelo, descobriu um brasido no meio da mata espessa, onde negro horrendo se entretinha em preparar um assado.

Descendo, comunicou aos parceiros a descoberta, resolvendo capturar o indivíduo que, naturalmente, era algum negro fugido.

Armados até os dentes, os escravos puseram em cerco o desconhecido e, avançando cautelosamente, caíram sobre ele, subjugando-o, apesar da resistência tenaz oposta pela vítima.

Era um negro de proporções avantajadas e de aspecto medonho, em razão do cabelo emaranhado e pelo hirsuto que lhe cobria a cara, onde os olhos cintilavam como brasas. Cobria-lhe o peito e as costas uma couraça de pele de quati costurada como cipó, e prendia aos quadris uma espécie de tanga pele do mesmo animal.

Levando à estância e apresentado o novo espécime da nossa fauna a quem logo chamaram de Pai Quati em razão de sua indumentária, nada foi possível apurar, de momento, pois o desconhecido não compreendia a língua portuguesa.

Chamados alguns pretos nascidos na costa da África para se entenderem com Pai Quati, um deles o compreendeu afinal. Eram nascidos na mesma região.

Foi, então, explicado o mistério das esteiras e balaios!

O caso era o seguinte: Tendo chegado o referido preto ao Rio Pardo, em uma leva de negros para serem vendidos em leião, conseguiu ele evadir-se e, atravessando sertões, precipícios e banhados, lutando com feras e as intempéries, chegou são e salvo ao segundo distrito de Santa Maria, onde, dentro da mata virgem, armou sua choupana e descansou, em termo.

Bom por índole e honesto por instinto, não quis ele roubar os utensílios de que precisava, nem a carne que comia quando lhe faltava caça. Assim, perito que era na manufatura de cestos e esteiras, meio de vida que tinha em sua terra, dedicou-se ali, a esse mister, trabalhando, afanosamente, na fabricação de tais objetos para à noite, misteriosamente, trocá-los em uma ou outra estância, por aquilo que achasse à mão e que lhe pudesse ser útil.

Em breve, a comovente estória do Pai Quati, correndo de boca em boca, encheu a redondeza. Todos queriam vê-lo e admirá-lo.

Uma auréola glorificadora circundou-lhe a negra fronte, compensando os dias de amargura. Livre, convencido de que não seria objeto de compra e venda, Pai Quati começou a trabalhar de peão aqui e ali, sem nunca fixar-se definitivamente em uma estância, pois não raro abandonava tudo para ir, novamente, viver dentro do mato, caçando quatis.

Fonte: Página do Gaúcho
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A lenda do Quero-quero em duas versões

 
Diz a lenda que lá no começo do mundo, quando a Sagrada família, fugia para o Egito, perseguida pelos soldados do Rei Heródes. Muitas vezes precisou viajar a noite e esconder-se nos matos e campos e durante o dia afugentar-se em grutas da montanha para fugir do sol escaldante e para não ser vista e morta pelos soldados. E quando os perseguidores chegavam perto, precisava estar escondida, em muito silêncio, para não ser encontrada.

Numa dessas vezes, Nossa Senhora escondendo o Divino Gurí (Jesus), pediu aos pássaros e todos aos animais que fizessem silêncio para que os soldados não os encontrassem. Porque os soldados poderiam ouvir e vir atacá-los.
Prontamente todos os bichos acataram o pedido de Nossa Senhora. Até o burrico parecia entender o perigo que a família estava correndo: não empacava e pisava macio. Não fazia o menor ruído ao mudar os passos, parecia que ele sabia de sua grande missão, que era conduzir a sua divina carga ao salvamento. As aves não voavam, ficavam inertes e nem batiam asas.

Mas o quero-quero, alheio aos acontecimentos e por ser uma ave alarmista, sempre alerta, querendo avisar cantando quando alguém se aproximava, não cessava de gritar a sua voz aguda. Não atendeu ao pedido de Nossa Senhora e permaneceu atacando e queria porque queria cantar, quero, quero, quero... Por isso, foi amaldiçoado por Nossa Senhora e até hoje continua querendo e querendo... e sem nada encontrar. 

Versão Gaúcha

Quando a família interiorana do Rio Grande do Sul, Seu Zé e Dona Maria, com seus dois piazitos, um ainda de colo, deixava o campo rumo a cidade grande em busca de sonhos, levava nas costas os poucos pertences, partindo acuada aos roncos de tratores, deixando casa e terras tomadas pelo banco, com secura na alma e a poeira encobrindo os rastros. O calor demasiado do sol obrigava uma sesta pra um sono do piá no colo da mãe à beira da lagoa. Seu Zé, matava a sede sem gestos, nem palavras, sentindo cada palmo de chão que ficou pra trás. Os bichos entendiam a penosa partida da família em silencio. A rã, quieta como uma pedra nas águas. Um casal de socós nem mudava os passos. Mas o afoito casal de quero-queros, com voos rasantes atacavam a família, não deixando o piazinho ninar com os gritos agudos de quero, quero, quero...

Não era hora para "tanto querer". A mãe, sentindo-se incomodada, amaldiçoou: - Tu também hás de "deixar o campo com seus filhos", quero-quero! Por isso que, atualmente, nas idas e vindas pela cidade, encontram-se, na torreira do sol forte, os quero-queros, num viver emprestado, trato racionado, nos pátios das casas e trevos de asfalto, correndo atrás dos filhos para livrar de gatos e pneus de carros... Mas continuam afoitos querendo e querendo!

Fonte: Pioneiro
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Natal Galponeiro


Autoria: Jayme Caetano Braun

A cuia do chimarrão,
É o cálice do ritual,

E o galpão é a Catedral
Maior da terra pampeana,
Que de luzes se engalana,
Para esperar o NATAL.

A cuia aquece na palma
Da mão da indiada campeira,
Dentro da sua maneira,
Rezando e chairando a alma,
Para recuperar a calma,
Que fugiu do mundo inteiro.
Enquanto o estrelão viajeiro,
Já vem rasgando caminho,
para anunciar o "Piazinho",
A Virgem e o Carpinteiro.

Em nome do Pai,
- Do Filho e do Espírito Santo,
É o chimarrão que levanto,
E o vento faz estribilho,
A prece do andarilho,
Ao Piazito Salvador,
Filho de Nosso Senhor,
Do Espírito e do Pai,
De volta a terra aonde vai,
Falar de novo em amor!

Tem sido assim - dois mil anos,
Ninguém sabe - mais ou menos,
Vem conviver com os pequenos,
De todos os meridianos,
E repetir aos humanos,
As preces de bem querer.
Quem sabe até - pode ser,
Que um dia seja atendido,
E o mundo velho perdido,
Encontre paz para viver.

Ele sabe da apertura,
Em que vive o pobrerio,
A fome - a miséria - o frio,
Porque passa a criatura,
Mas que - inda restam - ternura,
Amizade e esperança,
É que pode, a cada andança,
Mesmo nos ranchos sem pão,
Aliviar o coração,
Num sorriso de criança!

Pra mim - que ouvi na missões,
Causos de campo e rodeio,
Do "Negro do Pastoreio",
Cruzando pelos rincões,
Das lendas de assombrações,
E cobras queimando luz.
Foste - Menino Jesus,
O meu sinuelo de fé,
Juntando ao índio Sepé,
O Nazareno da Cruz!

E a Santa Virgem Maria,
Madrinha dos que não tem,
Fez parte - sempre - também,
Da minha filosofia,
Eu que fiz de Sacristia,
Os ranchos de chão batido,
E que hoje - encanecido,
Sou sempre o mesmo guri,
A bendizer por aí,
O pago que fui parido!

E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.

Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!

Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!
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domingo, 18 de dezembro de 2016

O estranho conhecendo a gauchada - Causo de Galpão

Um mascate do norte, cansado de tentar a sorte em seu Estado natal, resolveu rumar para o Rio Grande do Sul, onde as campanhas desertas ofereciam esperanças de melhor negócio. Quando transmitiu este seu plano aos amigos, eles apoiaram a ideia, mas não deixaram de fazer uma importante recomendação:
- Mas muito cuidado, velho! Cuidado com os gaúchos, pois são gente de faca na bota, como dizem por lá. Andam armados até os dentes, e por pouca coisa estão furando barriga. Cuidado! Mas ele não se ia assustar por tão pouco! Haveria de saber lidar com os gaúchos!... Assim, arrumou as malas e se tocou para o Sul. 
No Rio Grande, o seu primeiro contato foi com a capital. Não encontrou bombachudo algum, nem sequer gente de fala grossa e modos de valentão. Tudo mentira a história dos gaúchos! Mas três dias depois, começava a trabalhar. Carregou-se de mil e uma bugigangas e seguiu para uma cidade do interior. 
Ali comprou dois burros, montou num e aproveitou o outro como cargueiro... e se tocou pela campanha adentro. Foi quando começou a conhecer a gauchada. Ia cruzando, pelo caminho, por cavaleiros imponentes, chapéu quebrado na testa, lenço esvoaçante, revólver brilhando na cintura. Nos ranchos a que chegava, o voto de boas-vindas era dado pela cachorrada enorme, ladrando furiosa e mordendo a cola do burro.
 E na primeira venda em que parou, ao pedir um cigarro a um dos muitos que ali se encontravam – desculpa pra iniciar conversa e depois entrar na oferta das mercadorias – chegou a empalidecer quando, ao mesmo tempo que lhe alcançava um todo de fumo, o homem puxou da guaiaca uma dois palmos que até parecia espada, e falou, numa voz de trovão:
 - Pique, no más! Tudo aquilo, acumulando-se, fez o mascate recordar a recomendação dos companheiros: - Muito cuidado com os gaúchos! Por muito pouco estão matando gente... Mas o nortista ia se dando às mil maravilhas entre os sul-riograndenses.
 Naquela primeira semana que passara na campanha, ganhara mais dinheiro que num mês inteiro batendo no rancho dos sertanejos de sua terra. Os campeiros do Sul sempre tinham alguma prata na guaiaca, e davam um dente por um espelhinho com retrato de moça ou um tubo de brilhantina bem cheirosa. 
O gaúcho não é ruim não! – exclamava o mascate para si mesmo. Logo, porém, acrescentava: Mas seria muito melhor se não usasse aquele chapéu de aba larga e pistola na cinta... Aquelas pistolas e aquelas adagas é que lhe tiravam o sossego. Já estava há uma semana entre a gauchada, e não podia se queixar de nada. Mas – tinha certeza! – a primeira vez que se desacertasse com um malvado qualquer... Nem era bom pensar! E eis que, para aumentar a tensão nervosa do mascate, rebentou por aqueles dias a revolução de 23. 
Era só gente gritando nos bolichos, era só notícias de peleias brabas, era só aqueles grupos de voluntários levantando polvadeira nas estradas rumo aos acampamentos revolucionários. E o mascate no meio daquilo tudo! Santo Deus! Uma tarde, cruzando os campos da Serra, o mascate se perdeu por um emaranhado de caminhos, e já nem sabia por onde andava quando – noite fechado – se encontrou á frente de um rancho. Havia luz lá dentro: sinal de gente. O melhor era pedir pouso por ali mesmo. E, cabresteando o cargueiro, chegou ao terreiro da casa. – Oh, de casa! Boa noite! No mesmo instante, apagou-se o lampião que aluminava o rancho e se fez silêncio completo. Novos gritos. Nada. E o homem já estava com a alma na boca, sem entender aquele mistério, quando alguém abriu uma das janelas e indagou quem se encontrava ali. 
O mascate explicou quem era e o que estava fazendo, perdido naqueles campos. Desceu novamente sobre o terreiro um silêncio de morte. Para cortá-lo, gemeu a porta do rancho, e desenhou-se no escuro o vulto de um homem trazendo á mão um revólver – aquilo brilhava até de noite! Calmamente, o homem aproximou-se do mascate, observou o burro, voltou-se depois para o cargueiro, bateu nas bolsas de couro e enfim, baixando a arma, falou: - Apeie e passe pra dentro, amigo! Que alívio! O mascate limpou o suor da testa e apeiou. 
O lampião fora novamente aceso, e ele pode ver quem eram os estranhos habitantes daquela solidão. Recostando a uma mesa, com a cara reluzente alumiada de perto pelo lampião – a luz vinda de baixo enchia o rosto de sombras – achava-se um negro de avantajada estatura. E, ali ao lado do mascate, o homem que o recebera, com espessa barba a cobrir-lhe boa parte do rosto. – Se abanque­ – ofereceu o barbudo, apontando o cepo. E logo continuava – Peço que me desculpe estes modos de tratar. Mas o senhor sabe: a revolução anda prendendo fogo nestes campos e muita gente se aproveita da balbúrdia. Nunca falta um desalmado, nessas ocasiões, pra fazer das suas. Por isso nos enchemos de mil cuidados. 
Eu e o Tuca – o crioulo esse – vivemos solitos neste fundo de invernada, cuidando o gado de seu Pedro Prestes, e temos de resguardar o nosso couro por conta própria. Dizer que até o Cuidado, o cusco, morreu traz-antontem, mordido de cruzeira!... Até isso pra nos deixar ainda mais desamparados! Porque, lê digo, o rancho mais perto daqui fica obra de légua e pico... Um fim de mundo! Nem sei como o senhor veio bater com os costados por aqui... Ainda meio desconfiado, o mascate explicou que viajava guiado apenas por informações. Não conhecia nada daquelas paragens, Pois era do Norte. – Bem me pareceu, pela voz, que era de pago estranho – interrompeu o campeiro. – Mas não faça cerimônia: está como se fosse em seu rancho! – Obrigado – o e mascate já se sentia mais dono de si.
 – Bem... mas me dêem licença, que eu vou descarregar o burro...

 – A vontade, companheiro! E pode botar a carga aqui mesmo. É bem resguardado do sereno... Agradecendo a gentileza – mas com a voz ainda meio arrastada – o mascate retirou-se da saleta e começou a descarregar o cargueiro. E já ia levando as bolsas para o rancho quando, por uma fresta da parede de barro, ouviu, num fim de conversa, o posteiro dizer ao negro: - Muita cousa deve trazer esse mascate...
 E quem sabe se não vamos sair lucrando com a pousada?... Vamos tratar bem o homem. Assim, enquanto eu puxo conversa, vá preparando as cousas: lhe dê bastante comida, e depois mate!

 À voz de matar, o mascate não teve dúvidas: largou suas bugigangas no chão, correu ao burro – graças a Deus não o desencilhara ainda! – e descascou-lhe o rebenque. Com o barulho do trote largo, corrêramos dois homens à porta do rancho. Mas o bater dos cascos já ia longe... E, até hoje, o posteiro do seu Pedro Prestes não sabe explicar porque o mascate saiu disparando de seu rancho e deixou, de presente, sem que nem pra quê, toda aquela carga de fazendas, brilhantinas cheirosas e espelhinhos com retrato de moça...
 Nem desconfiara aquele campeiro que o mascate nortista não sabia que também se chamava de mate aquela bebida quente que os gaúchos tomavam a toda hora e a todo instante: o chimarrão!

Causo de Barbosa Lessa.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Os dez mandamentos do Cavaleiro

1º - Preservar, acima de todas as coisas, o bem estar do cavalo.
2º - Em qualquer querência que ande sempre portar-se com fidalguia e educação.
3º - Honrar e cultivar suas tradições.
4º - Ter por obrigação ao cavalgar, acampar e, até mesmo, passear em grupo ou solitário, a preservação da natureza.
5º - Respeitar idéias, e ideais mesmo que contrário aos seus, evitando com isso, as desavenças que nada constroem.
6º - Respeitar a propriedade, e os pertences alheios como se fossem seus.
7º - Respeitar nossos símbolos pátrios e cívicos.
8º - Ter sempre em mente, oportunizar e valorizar a participação das novas gerações.
9º - Sempre que possível, contribuir para amenizar azelas sociais.
10º - Sempre que houver possibilidade, incluir a sua família nas cavalgadas e festas.


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os tropeiros de estâncias

O gado que havia sido criado nas missões jesuíticas,após ter sido abandonado, procriou livremente nos pastos, formando grande rebanhos xucros.

Com o passar do tempo esses rebanhos começaram a despertar a atenção de paulistas, que viajavam até o Rio Grande do Sul para abater os animais, dos quais aproveitavam apenas o couro e o sebo.

Nesta época iniciou-se a mineiração no centro do pa;is e o gado sulino foi aproveitado como alimento (carne e leite) e como meio de transporte (animal de carga). Surgiu então a figura do tropeiro, que reunia e transportava o gado gaúcho para São Paulo e Minas Gerais..

Com o tempo, muitos dos locais onde os tropeiros paravam para reunir o gado tornaram-se estâncias, fazendas de criação de gado para venda.
Foi nas estâncias que surgiu o típico gaúcho, descendente de índios, portugueses ou espanhois.

Originalmente esta palavra designava o homem sem emprego fixo,que percorria os campos e
executava pequenos serviços, como a doma de animais.

Atualmente, todos aqueles que nascem no nosso estado são chamados de gaúchos.

A partir desse momento, a produção de charque se tornou o centro da vida econômica da região de Pelotas.

As charqueadas estavam situadas ao longo de rios que facilitavam o transporte para o porto de Rio Grande - de onde o charque seguia para o Rio e outros portos brasileiros.

Com o dinheiro gerado por elas, Pelotas se transformou. Essa renda permitiu que surgisse um grupo de famílias ricas e que cultivavam hábitos sofisticados.

Em contraparte dessa opulência eram as próprias charqueadas, onde os enormes grupos de escravos eram submetidos a um trabalho exaustivo.


Fonte: UFRGS
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Ditos gaúchos

-Quieto no Canto como guri cagado...


-Mais ligado que rádio de preso

-Mais curto que coice de porco

-Firme que nem prego em polenta

-Mais nojento que mocotó de ontem

-Saracoteando mais que bolacha em boca de véia

-Solto que nem peido em bombacha

-Mais curto que estribo de anão

-Mais pesado que sono de surdo

-Calmo que nem água de poço

-Mais amontoado que uva em cacho

-Mais perdido que cego em tiroteio

-Mais perdido que cachorro em dia de mudança

-Mais perdido do que cusco em procissão

-Mais faceiro que guri de bombacha nova

-Mais assustado que véia em canoa

-Mais angustiado que barata de ponta-cabeça

-Mais por fora que quarto de empregada

-Mais por fora que surdo em bingo

-Mais sofrido que joelho de freira em semana Santa

-Feliz que nem lambari de sanga

-Mais ansioso que anão em comício

-Mais apertado que bombacha de fresco

-Mais apressado que cavalo de carteiro

-Mais arisca do que china que não quer dar

-Mais atirado que alpargata em cancha de bocha

-Mais baixo que vôo de marreca choca

-Mais bonita que laranja de amostra

-De boca aberta que nem burro que comeu urtiga

-Mais chato que gilete caída em chão de banheiro

-Mais caro que argentina nova na zona

-Mais cheio que corvo em carniça de vaca atolada

-Mais constrangido que padre em puteiro

-Mais conhecido que parteira de campanha

-Mais comprido que puteada de gago

-Mais comprido que cuspe de bêbado

-Mais coxuda que leitoa em engorde

-Devagarzito como enterro de viúva rica

-Mais difícil que nadar de poncho

-Mais duro que salame de colônia

-Mais encolhido que tripa na brasa

-Extraviado que nem chinelo de bêbado

-Mais faceiro que mosca em tampa de xarope

-Mais faceiro que ganso novo em taipa de açude

-Mais faceiro que pica-pau em tronqueira

-Mais feliz que puta em dia de pagamento de quartel

-Mais feio que briga de foice no escuro

-Mais feio que sapato de padre

-Mais feio que paraguaio baleado

-Mais feio que indigestão de torresmo

-Mais firme que palanque em banhado

-Mais por fora que cotovelo de caminhoneiro

-Mais gasto que fundilho de tropeiro

-Mais gostoso que beijo de prima

-Mais grosso que dedo destroncado

-Mais grosso que rolha de poço

-Mais grosso que parafuso de patrola

-Mais informado que gerente de funerária

-Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro

-Mais nervoso que potro com mosca no ouvido

-Quente que nem frigideira sem cabo

-Mais sério que defunto

-Mais sujo que pau de galinheiro

-Tranqüilo que nem cozinheiro de hospício

-Tranqüilo que nem água de poço

-Bobagem é espirrar na farofa

-Mais gorduroso que telefone de açougueiro

-Mais perdido que cebola em salada de frutas

-Mais feliz que gordo de camiseta

-Mais chato que chinelo de gordo

Obs.:Não perguntem de onde tirei isso, porque...

-Quem revela a fonte é água mineral!!!
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Nós somos bem mais machos que vocês - Causos de Galpão

Se eu falo no Candinho Bicharedo, primeiro, porque era contador de causo; segundo, porque ele peleou em 23, do lado dos Maragatos. Mas era Maragato dos quatro costados! Quando cercaram Uruguaiana, no primeiro dia de abril de 23, ele se juntou com as forças de Honório Lemes. E no combate do Ibicuí da Armada, onde Flores da Cunha atacou com ímpeto enorme, matou tanta gente que os urubus fizeram cerimônia: só comiam de capitão pra cima... Um piquete de Flores da Cunha aprisionou Candinho Bicharedo! Degola, não degola... disseram pro Flores degolar. - Não, o Candinho Bicharedo!! Que é isso! Vão tomar banho! O Candinho é uma glória aqui em Uruguaiana, aqui nesta região da Fronteira... Como é que vamos degolar? - Mas, ele é um contador de causo! Muito mentiroso! - Não, não, o Candinho é sagrado, disse o Flores. - Dêem ele prum soldado cuidar. O soldado ficou cuidando do Candinho. Todos os dias o Candinho ía ao ouvido do soldado: - "É, vocês passaram no Ibicuí da Armada (onde Honório Lemes ofereceu uma resistência muito grande), mas passaram porque tinham mais gente, mais arma. Nós semos muito mais machos que vocês!". Com o passar do tempo, o soldado foi enchendo a paciência e não agüentou mais. Passou o Candinho pro cabo! O cabo ouvia, todos os dias: "É. Vocês passaram no Ibicuí da Armada. Mas, passaram porque tinham mais gente, mais arma. Nós semos muito mais machos que vocês!". O cabo não agüentou e passou o Candinho pro sargento. O sargento passou pro capitão. O Capitão passou prum major; dizem até que era o major Laurindo Ramos, lá do Itaqui, que não era de laçar com sovéu curto... E ninguém mais agüentava o Candinho. Até que passaram pro próprio Flores da Cunha. - Olha, Coronel Flor, não agüentamos mais o Candinho! Só o senhor, pra dar um jeito na vida dele! - Mas, o que é que ele faz? - Ele fica incomodando a gente, à roda do dia. Já estava com vontade de mandá degolá! - Não, não e não! Me passem o Candinho. (O Dr. Flores da Cunha tinha sido intendente em Uruguaiana; comandava a Brigada do Oeste, na Fronteira da República, com o Coronel Neco Costa, aquela gente toda!). Bueno, e pro flores o Candinho cevou o mate, mas um mate véio espumando como apojo de brasina! Alcançou o mate pro Dr. Flores, que era Coronel Provisório, mas todo mundo chamava de General. Diz o Candinho: - "Óia, General Flor, vocês passaram no Ibicuí da Armada, mas só passaram porque tinham mais gente, mais arma que nós. Nós semos muito mais machos que vocês!". E o Flores, que já sabia da história e que também não era de pelar com a unha, respondeu: - Olhe, Candinho, tu é Maragato, não é? - "Sim, claro. Sou Maragato". - Agora, tu vai vestir a farda azul dos meus Provisórios e botar um lenço branco no pescoço, jurar a Bandeira do lado do Governo, senão vou te mandar degolar. Tu sabe que essa indidada tá louca pra te degolar; eu é que não deixei! Na voz da degola, o Candinho Bicharedo achou que já tava com idade de sentar praça! E sentou. Arrumaram uma farda azul pra ele. Aquele bonezinho, uma borda vermelha aqui em cima, e ataram um lenço branco bem nas pontas; mandaram o Candinho se apresentar pro Flores e bater continência. O Candinho, travestido de Chimango, se apresentou ao Flores. Enquadrou o corpo, bateu continência. O Flores chasqueou: - E agora, Candinho? O que tu acha do combate do Ibicuí da Armada? O Candinho não se apertou: - É, General. "Nós" passemos, mas só "passemos" porque "nós" tinha mais gente, mais arma. "Eles" são muito mais machos do que "nós" !!!

Causo de Antonio Augusto Fagundes.
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