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quinta-feira, 1 de junho de 2017

O produtor que colheu milho em uma ovelha - Causos de Galpão

O quadro Rádio Interativo vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Comunitária Liberdade-FM de Três Palmeiras e Rádio Comunitária Navegantes de Ronda Alta nas parcerias de Jaciano Eccher e Alcione Gondoreck. Nesse vídeo uma pequena amostra. Sempre temos homenagens, informações e é claro o bom humor sempre está presente

Veja o caso contado no Rádio Interativo hoje que alguns ouvintes duvidaram. A mais pura verdade nas ondas do rádio... O fato correspondente a imagem está no minuto 2:35 em diante...

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terça-feira, 25 de abril de 2017

o GPS ( Gaúchys Positioning System) Conforme as regiões do Brasil

GPS Carioca
Oh manô! Pega a próxima a esquerda, logo depois daquele bagulho vê se não vacila vèio!
GPS Nordestino:
Oh cabra da peste! Pega a terceira a direita e depois siga em frente
GPS Baiano
Vire a esquerda na próó... Deixa quieto, tenta na outra então ou retorne
GPS Goiano:
É noite o carro está rugindo parecendo fera, portanto vire a direita na Via Ananguera
GPS Paranaense
Vixe! Ta longe ainda, tu pode segui toda vida, depois vire a direita e ande toda vida!
GPS Gaúcho:

Tchê! Tu não te bobeie que depois da sinalera tu tem que virar a esquerda e no segundo quebra-mola.... Mêêê, pensa nuna chinoca bonita, mais bonita que laranja de amostra. Mas tchê, como eu dizia... Depois do quebra-mola tem uma cancha reta, tu vai passa ainda em frente ao bolicho do zé e pronto! Pode apeia vivente!
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quarta-feira, 29 de março de 2017

O Gaúcho Piloto de Avião - Piada

E la vai mais uma piada pra você, uma piada de gaúcho, uma piada de avião, daquelas de rachar o bico rindo, se gostar compartilhe com essa indiada guasca uma barbaridade.
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quinta-feira, 9 de março de 2017

Jornal do Gaúcho quinta edição

Te aprochega vivente que agora tu vai escutar o Jornal do Gaúcho. Puxa um cepo, prepara o mate e vamos as noticias do dia.

Gaudério entra em cana depois de atar pingo em frente a delegacia

O gaudério estava ginetiando seu pingo para ir ao carijó buscar um saco de erva a granel. Detalhe, o carijó ficava na beira de uma delegacia, e o seu Tiburcio não quis nem saber, já foi atando o pingo no estacionamento da brigada, já acolherô de brigadiano e meteram o tal no xilindró.

Depois de campià em tudo que é canto, Boi Barroso aparece dentro do apartamento do Gauchão

Foi nesses fundos de campo dos confins do fim do mundo
Que berrando grosso e fundo, o boi barroso se sumiu
Depois de campiá por tudo que é canto a indiada encontrou o Xirú do posto.... Ipiranga
E não deixaram de maliciar, que ele tinha achado o Boi Barroso
E não queria lhes entregar. Foram dar parte ao comissário
Ficou prá segunda - feira. levô os home na conversa e se foi a semana inteira.
Mas numa frasqueira cos creminhos de beleza o gauchão de Apartamento tinha acabado de tomar o seu chocolate quente quando viu, acredite se quiser preparando um mate topetudo o tal do Boi Barroso
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sexta-feira, 3 de março de 2017

Jornal do Gaúcho Quarta Edição - Causos de Gaúcho

Te aprochega vivente que agora tu vai escutar o Jornal do Gaúcho. Puxa um cepo, prepara o mate e vamos as noticias do dia.
Gaudério fica com a cabeça mais grossa que parafuso de patrola depois de levar piocada de bespa
O gaudério estava ginetiando um capincho quando bateu com a cabeça na cachopa da bespera e levou umas 50 ferroadas e no final da tarde mais assustado que cusco em canoa ele pediu socorro pra patroa que ao invés de ajudar afofô ele a páu pra larga mão de se bocó.

Depois do acidente campeiro com o esquerdo que doía pião campeiro cai do cavalo e quebra o cambito direito.
Depois de procurar a Sinhá Maria e ela náo têlo benzido porque não adiantava mesmo não tinha o que fazer o mesmo pião campeiro que não podia adoecê cai do cavalo, quebra o cambito direito e como da outra vez levaram ele pra cidade quase morrendo de dor, entro no primeiro prédio que estava escrito doutor. E aí sim o doutor Eloi pode atende-lo sem serimônias


Acompanhe a próxima edição do Jornal do Gaúcho tão logo os causos aconteçam
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quinta-feira, 2 de março de 2017

Jornal do Gaúcho: Terceira Edição - Causos de Galpão

Te aprochega vivente que agora tu vai escutar o Jornal do Gaúcho. Puxa um cepo, prepara o mate e vamos as noticias do dia.

Mulher amolenta marido a páu por chegar borracho em casa.
Depois de ter tomado umas canjebrinas oitavado na copa seu Tiburcio sai a despacito pras banda do rancho. Mal ele sabia que a Xivilena o esperava mais ansiosa que anão em comício pra le dar uma sumanta de laço.
“Levei um pialo de esparramar o sabugo duma potranca refugo mais braba que uma bespeira” narra seu Tiburcio a nossa equipe de reportagem.
Pexada em sinalera acontece depois de loira mais linda que laranja de amostra atravessa a rua rebolando.
Achacoalhando a mondongueira e rebolando mais que cobra mal matada a loira cruzava a sinalera quando um xirú véio engarupado na sua rural ficou com a boca mais aberta que burro que comeu urtiga e acabou pechando na viatura dos milicos que faziam ronda.


Acompanhe a próxima edição do Jornal do Gaúcho tão logo os causos aconteçam

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quarta-feira, 1 de março de 2017

Veja a segunda edição do Jornal do Gaúcho

Veja algumas manchetes da segunda edição do Jornal do Gaúcho:
Vivente é morto a pialo enquanto lagarteava no sol la no potreiro velho.
Dunfa d’àgua de faze cusco beber água em pé, atinge o município de Três Palmeiras.
Mulher leva sumanta de laço depois de ser encontrada camaguiando com o compadre.
Melhor ver o vídeo.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Jornal do Gaúcho: Primeira Edição - Causos de Galpão

De vez enquando tu vai escutar por aqui algumas edições macabras do Jornal Do Gaúcho. Confira a primeira edição no vídeo abaixo:
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A lenda do Umbu - Causos de Galpão

O Umbu é uma árvore grande e folhuda que cresce no pampa. Muitas vezes é solitária, erguendo-se única no descampado e atrai os campeiros, os tropeiros, os carreteiros que fazem pouso sob sua proteção. O tronco do Umbu é muito grosso, as raízes fora da terra são grandes, mas ninguém usa a madeira da árvore - não serve para nada, mesmo. É farelenta, quebradiça, parece feita de uma casca em cima da outra.

Por quê?

Pois não vê que quando Deus Nosso Senhor criou o mundo, ao fazer as árvores perguntava a cada uma delas o que queria na terra. A laranjeira, o pessegueiro, a macieira, a pereira e assim por diante, quiseram frutos deliciosos. O pau-ferro, o angico, o ipé, o açoita-cavalo, a guajuvira, pediram madeira forte.

- E tu, Umbu, queres também frutos doces e madeira forte?

- Nada, Senhor. - respondeu o Umbu. - Eu quero apenas folhas largas para as sesteadas dos gaúchos e uma madeira tão fraca que se quebre ao menor esforço.

- A sombra, Eu compreendo - disse o Senhor. - Mas porque a madeira fraca?

- Porque eu não quero que algum dia façam dos meus braços a cruz para o martírio de um justo.

E Deus Nosso Senhor, que teve o filho crucificado, atendeu o pedido do Umbu.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Pai quati - Causos de Galpão

Em meados do século passado, um fato curiosíssimo prendia a atenção dos moradores dos Banhados, no segundo distrito de Santa Maria.

Era o caso que, numa ou noutra estância, lá naquelas bandas, de quando em quando, era encontrada uma esteira nova, sem uso, ou um balaio nas mesmas condições, objetos esses que mãos invisíveis iam à noite, ocultamente, deixar ali em lugar que fossem vistos logo pela manhã, ao começar a faina diária.

De onde vinham aqueles objetos? Quem os teria trazido? Ninguém atinava. Era assim, em verdade, um caso surpreendente.

Agora, o reverso da medalha. Em tais ocasiões sempre desaparecia um facão, machado ou serrote que ficasse ao relento e, algumas vezes, uma manta de charque que repousava no varal, ou uma ovelhinha...

É incrivel, diziam todos. Na impossibilidade de ser desvendado o mistério, a fantasia popular deleitava-se em tecer, em torno do caso, estranhos comentários, onde sempre o demônio entrava como figura obrigada.

A princípio, o povo, muito especialmente as mulheres, não tocava nos objetos achados em tais condições, atribuindo o fato a artes do diabo, ou pelo menos a feitiço, em que eram mestres os negros escravos trazidos da costa da África.

Mas com o tempo, verificando-se que as esteiras e os balaios deixados não faziam mal a ninguém, ao contrário eram uma utilidade evidente, a prevenção desapareceu chegando ao ponto de algumas pessoas deixarem à noite, na mangueira ou na frente da casa, facas, tesouras, cordas, galinhas atadas pelas pernas, na esperança de ser qualquer dessas coisas trocadas por uma esteira ou um balaio.

Durante anos, tais transações foram, naquele lugar, o fato mais natural do mundo, tendo perdido seu cunho sensacional, por ter caído no domínio das coisas comuns.

Em certa ocasião, escravos que andavam à procura de mel em sua mata virgem, dois quilômetros mais ou menos distantes da casa da estância, perceberam que do centro da floresta elevava-se espiralando uma tênue nuvem de fumaça branca.

Surpresos, procurando desvendar o enigma, um dos pretos galgou a copa de uma árvore gigantesca e lançando o olhar em direção ao ponto de onde saía o fumo em novelo, descobriu um brasido no meio da mata espessa, onde negro horrendo se entretinha em preparar um assado.

Descendo, comunicou aos parceiros a descoberta, resolvendo capturar o indivíduo que, naturalmente, era algum negro fugido.

Armados até os dentes, os escravos puseram em cerco o desconhecido e, avançando cautelosamente, caíram sobre ele, subjugando-o, apesar da resistência tenaz oposta pela vítima.

Era um negro de proporções avantajadas e de aspecto medonho, em razão do cabelo emaranhado e pelo hirsuto que lhe cobria a cara, onde os olhos cintilavam como brasas. Cobria-lhe o peito e as costas uma couraça de pele de quati costurada como cipó, e prendia aos quadris uma espécie de tanga pele do mesmo animal.

Levando à estância e apresentado o novo espécime da nossa fauna a quem logo chamaram de Pai Quati em razão de sua indumentária, nada foi possível apurar, de momento, pois o desconhecido não compreendia a língua portuguesa.

Chamados alguns pretos nascidos na costa da África para se entenderem com Pai Quati, um deles o compreendeu afinal. Eram nascidos na mesma região.

Foi, então, explicado o mistério das esteiras e balaios!

O caso era o seguinte: Tendo chegado o referido preto ao Rio Pardo, em uma leva de negros para serem vendidos em leião, conseguiu ele evadir-se e, atravessando sertões, precipícios e banhados, lutando com feras e as intempéries, chegou são e salvo ao segundo distrito de Santa Maria, onde, dentro da mata virgem, armou sua choupana e descansou, em termo.

Bom por índole e honesto por instinto, não quis ele roubar os utensílios de que precisava, nem a carne que comia quando lhe faltava caça. Assim, perito que era na manufatura de cestos e esteiras, meio de vida que tinha em sua terra, dedicou-se ali, a esse mister, trabalhando, afanosamente, na fabricação de tais objetos para à noite, misteriosamente, trocá-los em uma ou outra estância, por aquilo que achasse à mão e que lhe pudesse ser útil.

Em breve, a comovente estória do Pai Quati, correndo de boca em boca, encheu a redondeza. Todos queriam vê-lo e admirá-lo.

Uma auréola glorificadora circundou-lhe a negra fronte, compensando os dias de amargura. Livre, convencido de que não seria objeto de compra e venda, Pai Quati começou a trabalhar de peão aqui e ali, sem nunca fixar-se definitivamente em uma estância, pois não raro abandonava tudo para ir, novamente, viver dentro do mato, caçando quatis.

Fonte: Página do Gaúcho
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domingo, 18 de dezembro de 2016

O estranho conhecendo a gauchada - Causo de Galpão

Um mascate do norte, cansado de tentar a sorte em seu Estado natal, resolveu rumar para o Rio Grande do Sul, onde as campanhas desertas ofereciam esperanças de melhor negócio. Quando transmitiu este seu plano aos amigos, eles apoiaram a ideia, mas não deixaram de fazer uma importante recomendação:
- Mas muito cuidado, velho! Cuidado com os gaúchos, pois são gente de faca na bota, como dizem por lá. Andam armados até os dentes, e por pouca coisa estão furando barriga. Cuidado! Mas ele não se ia assustar por tão pouco! Haveria de saber lidar com os gaúchos!... Assim, arrumou as malas e se tocou para o Sul. 
No Rio Grande, o seu primeiro contato foi com a capital. Não encontrou bombachudo algum, nem sequer gente de fala grossa e modos de valentão. Tudo mentira a história dos gaúchos! Mas três dias depois, começava a trabalhar. Carregou-se de mil e uma bugigangas e seguiu para uma cidade do interior. 
Ali comprou dois burros, montou num e aproveitou o outro como cargueiro... e se tocou pela campanha adentro. Foi quando começou a conhecer a gauchada. Ia cruzando, pelo caminho, por cavaleiros imponentes, chapéu quebrado na testa, lenço esvoaçante, revólver brilhando na cintura. Nos ranchos a que chegava, o voto de boas-vindas era dado pela cachorrada enorme, ladrando furiosa e mordendo a cola do burro.
 E na primeira venda em que parou, ao pedir um cigarro a um dos muitos que ali se encontravam – desculpa pra iniciar conversa e depois entrar na oferta das mercadorias – chegou a empalidecer quando, ao mesmo tempo que lhe alcançava um todo de fumo, o homem puxou da guaiaca uma dois palmos que até parecia espada, e falou, numa voz de trovão:
 - Pique, no más! Tudo aquilo, acumulando-se, fez o mascate recordar a recomendação dos companheiros: - Muito cuidado com os gaúchos! Por muito pouco estão matando gente... Mas o nortista ia se dando às mil maravilhas entre os sul-riograndenses.
 Naquela primeira semana que passara na campanha, ganhara mais dinheiro que num mês inteiro batendo no rancho dos sertanejos de sua terra. Os campeiros do Sul sempre tinham alguma prata na guaiaca, e davam um dente por um espelhinho com retrato de moça ou um tubo de brilhantina bem cheirosa. 
O gaúcho não é ruim não! – exclamava o mascate para si mesmo. Logo, porém, acrescentava: Mas seria muito melhor se não usasse aquele chapéu de aba larga e pistola na cinta... Aquelas pistolas e aquelas adagas é que lhe tiravam o sossego. Já estava há uma semana entre a gauchada, e não podia se queixar de nada. Mas – tinha certeza! – a primeira vez que se desacertasse com um malvado qualquer... Nem era bom pensar! E eis que, para aumentar a tensão nervosa do mascate, rebentou por aqueles dias a revolução de 23. 
Era só gente gritando nos bolichos, era só notícias de peleias brabas, era só aqueles grupos de voluntários levantando polvadeira nas estradas rumo aos acampamentos revolucionários. E o mascate no meio daquilo tudo! Santo Deus! Uma tarde, cruzando os campos da Serra, o mascate se perdeu por um emaranhado de caminhos, e já nem sabia por onde andava quando – noite fechado – se encontrou á frente de um rancho. Havia luz lá dentro: sinal de gente. O melhor era pedir pouso por ali mesmo. E, cabresteando o cargueiro, chegou ao terreiro da casa. – Oh, de casa! Boa noite! No mesmo instante, apagou-se o lampião que aluminava o rancho e se fez silêncio completo. Novos gritos. Nada. E o homem já estava com a alma na boca, sem entender aquele mistério, quando alguém abriu uma das janelas e indagou quem se encontrava ali. 
O mascate explicou quem era e o que estava fazendo, perdido naqueles campos. Desceu novamente sobre o terreiro um silêncio de morte. Para cortá-lo, gemeu a porta do rancho, e desenhou-se no escuro o vulto de um homem trazendo á mão um revólver – aquilo brilhava até de noite! Calmamente, o homem aproximou-se do mascate, observou o burro, voltou-se depois para o cargueiro, bateu nas bolsas de couro e enfim, baixando a arma, falou: - Apeie e passe pra dentro, amigo! Que alívio! O mascate limpou o suor da testa e apeiou. 
O lampião fora novamente aceso, e ele pode ver quem eram os estranhos habitantes daquela solidão. Recostando a uma mesa, com a cara reluzente alumiada de perto pelo lampião – a luz vinda de baixo enchia o rosto de sombras – achava-se um negro de avantajada estatura. E, ali ao lado do mascate, o homem que o recebera, com espessa barba a cobrir-lhe boa parte do rosto. – Se abanque­ – ofereceu o barbudo, apontando o cepo. E logo continuava – Peço que me desculpe estes modos de tratar. Mas o senhor sabe: a revolução anda prendendo fogo nestes campos e muita gente se aproveita da balbúrdia. Nunca falta um desalmado, nessas ocasiões, pra fazer das suas. Por isso nos enchemos de mil cuidados. 
Eu e o Tuca – o crioulo esse – vivemos solitos neste fundo de invernada, cuidando o gado de seu Pedro Prestes, e temos de resguardar o nosso couro por conta própria. Dizer que até o Cuidado, o cusco, morreu traz-antontem, mordido de cruzeira!... Até isso pra nos deixar ainda mais desamparados! Porque, lê digo, o rancho mais perto daqui fica obra de légua e pico... Um fim de mundo! Nem sei como o senhor veio bater com os costados por aqui... Ainda meio desconfiado, o mascate explicou que viajava guiado apenas por informações. Não conhecia nada daquelas paragens, Pois era do Norte. – Bem me pareceu, pela voz, que era de pago estranho – interrompeu o campeiro. – Mas não faça cerimônia: está como se fosse em seu rancho! – Obrigado – o e mascate já se sentia mais dono de si.
 – Bem... mas me dêem licença, que eu vou descarregar o burro...

 – A vontade, companheiro! E pode botar a carga aqui mesmo. É bem resguardado do sereno... Agradecendo a gentileza – mas com a voz ainda meio arrastada – o mascate retirou-se da saleta e começou a descarregar o cargueiro. E já ia levando as bolsas para o rancho quando, por uma fresta da parede de barro, ouviu, num fim de conversa, o posteiro dizer ao negro: - Muita cousa deve trazer esse mascate...
 E quem sabe se não vamos sair lucrando com a pousada?... Vamos tratar bem o homem. Assim, enquanto eu puxo conversa, vá preparando as cousas: lhe dê bastante comida, e depois mate!

 À voz de matar, o mascate não teve dúvidas: largou suas bugigangas no chão, correu ao burro – graças a Deus não o desencilhara ainda! – e descascou-lhe o rebenque. Com o barulho do trote largo, corrêramos dois homens à porta do rancho. Mas o bater dos cascos já ia longe... E, até hoje, o posteiro do seu Pedro Prestes não sabe explicar porque o mascate saiu disparando de seu rancho e deixou, de presente, sem que nem pra quê, toda aquela carga de fazendas, brilhantinas cheirosas e espelhinhos com retrato de moça...
 Nem desconfiara aquele campeiro que o mascate nortista não sabia que também se chamava de mate aquela bebida quente que os gaúchos tomavam a toda hora e a todo instante: o chimarrão!

Causo de Barbosa Lessa.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Os dez mandamentos do Cavaleiro

1º - Preservar, acima de todas as coisas, o bem estar do cavalo.
2º - Em qualquer querência que ande sempre portar-se com fidalguia e educação.
3º - Honrar e cultivar suas tradições.
4º - Ter por obrigação ao cavalgar, acampar e, até mesmo, passear em grupo ou solitário, a preservação da natureza.
5º - Respeitar idéias, e ideais mesmo que contrário aos seus, evitando com isso, as desavenças que nada constroem.
6º - Respeitar a propriedade, e os pertences alheios como se fossem seus.
7º - Respeitar nossos símbolos pátrios e cívicos.
8º - Ter sempre em mente, oportunizar e valorizar a participação das novas gerações.
9º - Sempre que possível, contribuir para amenizar azelas sociais.
10º - Sempre que houver possibilidade, incluir a sua família nas cavalgadas e festas.


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os tropeiros de estâncias

O gado que havia sido criado nas missões jesuíticas,após ter sido abandonado, procriou livremente nos pastos, formando grande rebanhos xucros.

Com o passar do tempo esses rebanhos começaram a despertar a atenção de paulistas, que viajavam até o Rio Grande do Sul para abater os animais, dos quais aproveitavam apenas o couro e o sebo.

Nesta época iniciou-se a mineiração no centro do pa;is e o gado sulino foi aproveitado como alimento (carne e leite) e como meio de transporte (animal de carga). Surgiu então a figura do tropeiro, que reunia e transportava o gado gaúcho para São Paulo e Minas Gerais..

Com o tempo, muitos dos locais onde os tropeiros paravam para reunir o gado tornaram-se estâncias, fazendas de criação de gado para venda.
Foi nas estâncias que surgiu o típico gaúcho, descendente de índios, portugueses ou espanhois.

Originalmente esta palavra designava o homem sem emprego fixo,que percorria os campos e
executava pequenos serviços, como a doma de animais.

Atualmente, todos aqueles que nascem no nosso estado são chamados de gaúchos.

A partir desse momento, a produção de charque se tornou o centro da vida econômica da região de Pelotas.

As charqueadas estavam situadas ao longo de rios que facilitavam o transporte para o porto de Rio Grande - de onde o charque seguia para o Rio e outros portos brasileiros.

Com o dinheiro gerado por elas, Pelotas se transformou. Essa renda permitiu que surgisse um grupo de famílias ricas e que cultivavam hábitos sofisticados.

Em contraparte dessa opulência eram as próprias charqueadas, onde os enormes grupos de escravos eram submetidos a um trabalho exaustivo.


Fonte: UFRGS
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Ditos gaúchos

-Quieto no Canto como guri cagado...


-Mais ligado que rádio de preso

-Mais curto que coice de porco

-Firme que nem prego em polenta

-Mais nojento que mocotó de ontem

-Saracoteando mais que bolacha em boca de véia

-Solto que nem peido em bombacha

-Mais curto que estribo de anão

-Mais pesado que sono de surdo

-Calmo que nem água de poço

-Mais amontoado que uva em cacho

-Mais perdido que cego em tiroteio

-Mais perdido que cachorro em dia de mudança

-Mais perdido do que cusco em procissão

-Mais faceiro que guri de bombacha nova

-Mais assustado que véia em canoa

-Mais angustiado que barata de ponta-cabeça

-Mais por fora que quarto de empregada

-Mais por fora que surdo em bingo

-Mais sofrido que joelho de freira em semana Santa

-Feliz que nem lambari de sanga

-Mais ansioso que anão em comício

-Mais apertado que bombacha de fresco

-Mais apressado que cavalo de carteiro

-Mais arisca do que china que não quer dar

-Mais atirado que alpargata em cancha de bocha

-Mais baixo que vôo de marreca choca

-Mais bonita que laranja de amostra

-De boca aberta que nem burro que comeu urtiga

-Mais chato que gilete caída em chão de banheiro

-Mais caro que argentina nova na zona

-Mais cheio que corvo em carniça de vaca atolada

-Mais constrangido que padre em puteiro

-Mais conhecido que parteira de campanha

-Mais comprido que puteada de gago

-Mais comprido que cuspe de bêbado

-Mais coxuda que leitoa em engorde

-Devagarzito como enterro de viúva rica

-Mais difícil que nadar de poncho

-Mais duro que salame de colônia

-Mais encolhido que tripa na brasa

-Extraviado que nem chinelo de bêbado

-Mais faceiro que mosca em tampa de xarope

-Mais faceiro que ganso novo em taipa de açude

-Mais faceiro que pica-pau em tronqueira

-Mais feliz que puta em dia de pagamento de quartel

-Mais feio que briga de foice no escuro

-Mais feio que sapato de padre

-Mais feio que paraguaio baleado

-Mais feio que indigestão de torresmo

-Mais firme que palanque em banhado

-Mais por fora que cotovelo de caminhoneiro

-Mais gasto que fundilho de tropeiro

-Mais gostoso que beijo de prima

-Mais grosso que dedo destroncado

-Mais grosso que rolha de poço

-Mais grosso que parafuso de patrola

-Mais informado que gerente de funerária

-Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro

-Mais nervoso que potro com mosca no ouvido

-Quente que nem frigideira sem cabo

-Mais sério que defunto

-Mais sujo que pau de galinheiro

-Tranqüilo que nem cozinheiro de hospício

-Tranqüilo que nem água de poço

-Bobagem é espirrar na farofa

-Mais gorduroso que telefone de açougueiro

-Mais perdido que cebola em salada de frutas

-Mais feliz que gordo de camiseta

-Mais chato que chinelo de gordo

Obs.:Não perguntem de onde tirei isso, porque...

-Quem revela a fonte é água mineral!!!
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Nós somos bem mais machos que vocês - Causos de Galpão

Se eu falo no Candinho Bicharedo, primeiro, porque era contador de causo; segundo, porque ele peleou em 23, do lado dos Maragatos. Mas era Maragato dos quatro costados! Quando cercaram Uruguaiana, no primeiro dia de abril de 23, ele se juntou com as forças de Honório Lemes. E no combate do Ibicuí da Armada, onde Flores da Cunha atacou com ímpeto enorme, matou tanta gente que os urubus fizeram cerimônia: só comiam de capitão pra cima... Um piquete de Flores da Cunha aprisionou Candinho Bicharedo! Degola, não degola... disseram pro Flores degolar. - Não, o Candinho Bicharedo!! Que é isso! Vão tomar banho! O Candinho é uma glória aqui em Uruguaiana, aqui nesta região da Fronteira... Como é que vamos degolar? - Mas, ele é um contador de causo! Muito mentiroso! - Não, não, o Candinho é sagrado, disse o Flores. - Dêem ele prum soldado cuidar. O soldado ficou cuidando do Candinho. Todos os dias o Candinho ía ao ouvido do soldado: - "É, vocês passaram no Ibicuí da Armada (onde Honório Lemes ofereceu uma resistência muito grande), mas passaram porque tinham mais gente, mais arma. Nós semos muito mais machos que vocês!". Com o passar do tempo, o soldado foi enchendo a paciência e não agüentou mais. Passou o Candinho pro cabo! O cabo ouvia, todos os dias: "É. Vocês passaram no Ibicuí da Armada. Mas, passaram porque tinham mais gente, mais arma. Nós semos muito mais machos que vocês!". O cabo não agüentou e passou o Candinho pro sargento. O sargento passou pro capitão. O Capitão passou prum major; dizem até que era o major Laurindo Ramos, lá do Itaqui, que não era de laçar com sovéu curto... E ninguém mais agüentava o Candinho. Até que passaram pro próprio Flores da Cunha. - Olha, Coronel Flor, não agüentamos mais o Candinho! Só o senhor, pra dar um jeito na vida dele! - Mas, o que é que ele faz? - Ele fica incomodando a gente, à roda do dia. Já estava com vontade de mandá degolá! - Não, não e não! Me passem o Candinho. (O Dr. Flores da Cunha tinha sido intendente em Uruguaiana; comandava a Brigada do Oeste, na Fronteira da República, com o Coronel Neco Costa, aquela gente toda!). Bueno, e pro flores o Candinho cevou o mate, mas um mate véio espumando como apojo de brasina! Alcançou o mate pro Dr. Flores, que era Coronel Provisório, mas todo mundo chamava de General. Diz o Candinho: - "Óia, General Flor, vocês passaram no Ibicuí da Armada, mas só passaram porque tinham mais gente, mais arma que nós. Nós semos muito mais machos que vocês!". E o Flores, que já sabia da história e que também não era de pelar com a unha, respondeu: - Olhe, Candinho, tu é Maragato, não é? - "Sim, claro. Sou Maragato". - Agora, tu vai vestir a farda azul dos meus Provisórios e botar um lenço branco no pescoço, jurar a Bandeira do lado do Governo, senão vou te mandar degolar. Tu sabe que essa indidada tá louca pra te degolar; eu é que não deixei! Na voz da degola, o Candinho Bicharedo achou que já tava com idade de sentar praça! E sentou. Arrumaram uma farda azul pra ele. Aquele bonezinho, uma borda vermelha aqui em cima, e ataram um lenço branco bem nas pontas; mandaram o Candinho se apresentar pro Flores e bater continência. O Candinho, travestido de Chimango, se apresentou ao Flores. Enquadrou o corpo, bateu continência. O Flores chasqueou: - E agora, Candinho? O que tu acha do combate do Ibicuí da Armada? O Candinho não se apertou: - É, General. "Nós" passemos, mas só "passemos" porque "nós" tinha mais gente, mais arma. "Eles" são muito mais machos do que "nós" !!!

Causo de Antonio Augusto Fagundes.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O Gaúcho na Reunião Social - O que você faria?


Você está numa reunião social, daquelas que há lugares de sobra para sentar mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa.

Sua mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas, com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode.

O jantar é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que algumas semanas mais velho.

Aí o cabeleireiro de cabelo mechado, ao seu lado oferece:

- Se quiser usar o meu..
- O seu...?
- Joelho.
- Ah...
- Ele está desocupado.
- Mas eu não o conheço.
- Eu apresento. Este é o meu joelho.
- Não. Eu digo, você...
- Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu tivesse oferecendo a perna toda você ia estar pedindo referências. Ti-au.

O que você faria? ( Comente abaixo)

1 - Resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças:

2 - Leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e irônico, observando aquele curioso painel humano e organizando um pensamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para a decadência sem a etapa intermediária de civilização; ou

3 - Pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Heston com um soco.
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Veja se você é Gaúcho de Galpão ou é Puuuuto mesmo!!!!!

Bom vamos ver se você é macho mesmo Gaúcho de Galpão, ou é um boiola, viado, bichinha, fresco libélula, marricas, puuuuuuuuuuto!!! É, acho que você entendeu!!!
  • Você tem gato de estimação? Puuuuuto! O gato por si só é muito afrescalhado, faz cocô e xixi enquanto Gaúcho de Galpão caga e mija. E ainda usa uma caixinha pra enterrar, Gaúcho de Galpão tem cachorro, na verdade CUSCO, que caga em qualquer canto e não ta nem aí pros vivente afrescalhados.
  • Gosta de comida chinesa? Puuuuto. Gaúcho de Galpão gosta é de churrasco, arroz a carreteiro, comida bruta, nada de muita frescura.
  • Gosta de coquetel? Puuuuto! Coquetel, caipirinha com frutinhas, guarda-chuvinha, moranguinho é coisa de puto! Gaúcho de Galpão gosta de canha pura ou se for caipira é apenas quatro ingredientes, canha, gelo, açúcar e limão.
  • Você reparou que seu amigo ta com a mesma camisa de ontem? Puuuto! Gaúcho de Galpão não ta nem aí se o cara usa a mesma camisa dois dias seguidos, a semana toda, o mês inteiro ou pra sempre. Aliás ele nem percebe.
  • Você gosta de chupar picolé? Puuuto! Não pelo caso do picolé em si, mas a palavra "chupar não faz parte do dicionário do Gaúcho de galpão, ele come o picolé a dentada. Só tem uma situação que eu não vou mencionar aqui que o GG usa a palavra Chupar.
  • Você sabe nome de muita coisa na padaria? Puuuuto! Gaúcho de Galpão só conhece pão, pastel, xis e bolacha quando muito. Se você começa pedir beijinho, queijo Filadélfia, lombo canadense é muito fresco.
  • Você pede meia porção de alguma coisa? Puuuuto. Gaúcho de Galpão não fica pedindo meia porção, meia dose ou pior pede light ou diet. Ele golpeia a dose num talagasso só e come aquela porção, a outra, a outra ainda e ainda a próxima... Ah, enquanto aguarda o churrasco que essa sim é comida de Gaúcho de Galpão.
  • Gosta de Funk? Puuuuto! Gaúcho de Galpão gosta de xote, vanera, vanerão, bugiu. Quem gosta de ficar rebolando muito é puto mesmo!
  • Você não vai compartilhar essa postagem porque tem muito palavrão? Puuuuto! Gaúcho de Galpão vai se identificar com isso e vai compartilhar agora mesmo pois não ta nem ai para o que a frescalhada vai pensar disso.
E então descobriu se á Gaúcho de Galpão ou de Apartamento?
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Gaúcho fazendo Ioga - O que você faria?

Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga - se bem que gaúcho que é gaúcho não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado - a entrar para um curso de Sensitivação Oriental.

Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado.

Todos sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você que, está um pouco fora de forma, pode sentar na posição de arbusto despencado pelo vento.

Durante quinze minutos todos devem fechar os olhos, juntar a ponta dos dedos e fazer "Ron", até que se integrem na Grande Corrente Universal que vem do Tibet, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar para o Oriente.

Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos, não se surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar suas orelhas com força para lembrá-los da dualidade de todas as coisas.

Durante o "Ron" você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente universal, embora comece sentir uma sensação diferente que depois revela-se ser cãibra. Você:

O que você faria? (responda aqui em baixo)

1 -Finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém?

2 - Finge que não entendeu bem as instruções, engatinha, fazendo "Ron", até ao lado daquela grande loura, e na hora de tocar o seu rosto erra o alvo e agarra os seus seios, recusando-se a soltá-los mesmo que o japonês quase arranque suas orelhas?

3 - Diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado?
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sábado, 3 de dezembro de 2016

O Fantasma do Gaúcho - Causos de Galpão - Causos de Assombração

Acordou, mas continuou deitado, apenas esperando o cantar do galo para pular da cama. Uma boa espreguiçada, um longo bocejo e saltou. Enxaguou a boca, um tapa d’água no rosto, uma ajeitada na melena e se foi pra o galpão. Prepara o fogo, o mate, puxa o banco e, enquanto a água aquenta, fecha um palheiro. A noite foi fria!

Na calma da madrugada, ainda com o clarão da lua, dá para ver a “tordilha” que caiu. A água já está pronta. Em uma das mãos a cuia, a outra, que se apóia no joelho, ora sai para alçar a cambona e encher o mate, ora para levar o palheiro a uma tragada. O galo canta de novo, trazendo o pensamento do xiru de volta.
O vivente remecheu nas brasas e o clarão do fogo faz as sombras dançarem pelo chão e pelas paredes. No santa-fé da quincha, pendentes de picumã também participam da dança, fazendo silhuetas as vezes assustadoras provocadas pelo minuano que vem das frestas, trazendo a aragem da geada.

 O mate continua, o palheiro fumega, a cambona é enchida mais uma vez. O calor do fogo e do mate aquece o corpo e a alma, daquele gaudério solitário enquanto negócios, compromissos, cambichos, parceiros que já partiram, são relembrados.

Um estalo no fogo chuvisca o galpão de faíscas. Talvez fosse um daqueles que pediu permissão ao Patrão do Céu, para dar um volteio, e ao se achegar para o mate enroscou a espora no tição? Quem sabe!?
Lembra ele de um velho amigo que a muito tempo tinha morrido domando um cavalo xucro, e sempre nas rodas de mate confidenciara que quem partisse primeiro deveria voltar aos pagos para matiar junto onde existisse um fogo de chão.
O xiru tem quase a certeza de que há pouco ouviu um Oh de casa! Estranhou, porque a cachorrada não deu sinal nenhum... É só podia mesmo ser esse taura que sempre fora parceiro e resolveu agora fazer uma visita ao gaúcho solitário.

Causo de Deroci Freitas de Moraes de Santa Maria, adaptado por Jaciano Eccher.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Tiburcio e o Caixão - Causos de Galpão

Certa feita, num domingo à tarde, sentado na ponte da Linha Nova, sobre o Rio Bitaca
Tiburcio aguardava uma carona, que o levasse, vadio como ele só, preguiça de caminhar.

Eis que surge um carro de funerária, levando um caixão
para um defunto que acabara de falecer lá pras bandas de Constantina-RS. O Tiburcio, então, pediu uma carona e foi atendido.
Dali a pouco começou a cair um chuvarada daquelas, e o carro funeral era uma Rural willys. Sem se apertar, o Tiburcio velho entrou no caixão e, mais do que depressa, fechou a tampa, protegendo-se da chuva.
Mais adiante, outras pessoas também pegaram carona. E, uma vez em cima da picape,
como é próprio do pessoal da campanha, que acredita em assombração e outros bichos
mais, todos passaram a olhar, desconfiados, para aquele caixão de defunto fechado.
Vai daí que lá pelas tantas começou a esquentar no interior do caixão, e o Tiburcio velho,
abrindo a tampa de sopetão, perguntando: 
- E daí, indiada? Como é que tá o tempo aí fora chê? 

Barbaridade! Foi vivente saltando pra todo o lado e se boleando pelos barrancos da
estrada. Dizem que teve gente que correu mais de dez léguas, e tem outros correndo até agora!
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